Desmites e Tendinites

Desmites e Tendinites
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Desmites e Tendinites em Equinos: Quais os impactos dessas patologias?

Equinos atletas geralmente apresentam patologias do sistema musculoesquelético com maior frequência e intensidade que os demais, devido ao nível de exigência das competições e do esforço repetitivo necessário para a realização de exercícios, e estas patologias são as razões mais relevantes para a aposentadoria destes animais da carreira atlética. A causa determinante mais comum é relacionada aos esforços exagerados e recorrentes destes animais, promovendo a lesão dos tendões e ligamentos. Entre as patologias que afetam os equinos atletas podemos destacar a desmite e a tendinite.

Desmite, é a denominação dada para inflamação de ligamento, tendinite é a denominação referida à inflamação de tendões. Histologicamente as duas estruturas são muito semelhantes, compostos por escassos fibroblastos em uma estrutura complexa de matriz extracelular rica em colágeno, organizados ao longo das linhas de tensão. Anatomicamente sua diferença se dá pela sua função no corpo: o ligamento é uma estrutura que une duas superfícies ósseas, o tendão une músculo com osso.

Atualmente as desmites juntamente com as lesões tendíneas dos músculos flexores são as maiores responsáveis pela queda de performance em equinos atletas. Cavalos adultos de alta performance são mais susceptíveis a desenvolver a doença, porém animais jovens que realizam movimentos amplos e de forma inadequada têm grande predisposição.

Alguns levantamentos realizados em cavalos durante a temporada de competições conhecidas como National Hunt, na Inglaterra, mostraram prevalência de 46% de lesões em tendões e ligamentos nos animais participantes.

Em um estudo realizado na cidade de Belo Horizonte com 58 equinos de tração observou-se que 81% dos animais apresentavam tendinite nos membros torácicos, 58,6% apresentaram tendinite nos membros pélvicos, e 77,6% apresentavam desmite do ligamento suspensório nos membros torácicos.

A etiologia das desmites é relacionada ao trauma agudo ou exposição do ligamento a forças de tensão repetitivas e lesivas, associadas a outros fatores como má conformação dos membros e balanceamento incorreto dos cascos. Já as tendinites são ocasionadas por frequente estresse tendíneo muitas vezes relacionado à sua extensão além da capacidade tecidual. Em ambos os casos ocorre desorganização das fibras, seguido por um processo hemorrágico e inflamatório que possui efeitos deletérios às estruturas.

As manifestações clínicas divergem de acordo com o tempo da lesão. Lesões agudas apresentam aumento de volume, temperatura e sensibilidade regional, além de claudicação mais evidente. Em lesões crônicas o aumento de volume regional tem características firmes ao toque devido a presença de fibrose, pouca sensibilidade ao toque e uma claudicação mais discreta.

O diagnóstico é realizado pela palpação do membro e suas estruturas em estação e flexão, isolando as estruturas e seus ramos, observando a estrutura e a sensibilidade do animal ao toque. A ultrassonografia diagnóstica é essencial para indicar o tempo da lesão (aguda ou crônica), se já existe reparação tecidual e qual a extensão da lesão. Mais frequentemente a utilização da termografia com câmeras tem sido associada ao protocolo de diagnóstico por permitir observar a temperatura do tecido, diferenciando a lesão de aguda ou crônica, mas sem informar a existência de reparação tecidual.

A recuperação é lenta, e muitas vezes não é completa, pois as fibras rompidas dificilmente retornam ao seu estado anterior de elasticidade, podendo tornar-se mais suscetível à novas lesões.

O tratamento da lesão aguda associa administração sistêmica de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), corticoide em dose única, aplicação regional de triancinolona, ferrageamento corretivo para diminuir o esforço e gerar mais conforto, massagem tópica com pomadas anti-inflamatórias ou adstringentes, imobilização com ataduras e terapia regional com gelo. O animal precisa permanecer em repouso completo por 21 dias, realizando apenas exercícios passivos. Após este período, em reanalise ao quadro, o médico veterinário pode liberar o início da atividade com cabresto por 1 – 2 meses, para enfim liberar retomada de atividades montado.

O ultrassom terapêutico (UST) é permitido após 21 dias, quando a lesão já não é aguda e existe ausência de inflamação, assim como outras modalidades de fisioterapia veterinária para cavalos atletas.

O tratamento de lesão crônica é um pouco mais trabalhoso e necessita que a lesão sofra um processo de contrairritação para que ela se torne aguda novamente e passe pelos processos de tratamento da lesão aguda.

Mais recentemente outras formas de terapia têm sido inseridas no processo de tratamento de desmites e tendinites que envolvem a aplicação de PRP (plasma rico em plaquetas) e de células tronco na lesão. Em ambos os casos o material usado é autógeno, ou seja, tanto o plasma quanto as células tronco são retiradas do próprio animal e enviadas para processamento em laboratório para depois serem utilizadas. Materiais autógenos são padrão ouro para tratamento de lesões pois dificilmente desencadearão uma reação de defesa do organismo.

Uma vez lesionado, o animal necessitará de cuidados mais específicos após realização de esforço físico, como a utilização de ligas de descanso e de trabalho, massagem regional com adstringentes tópicos, compressa com gelo e ducha sobre os tendões logo após o trabalho e evitar pisos muito fofos.

A vida esportiva dos equinos pode ficar comprometida devido a gravidade das patologias tendíneas e ligamentares sofridas durante os anos, principalmente porque o restabelecimento das funções destas estruturas não consegue ser total caso o diagnóstico e tratamento demorem a acontecer. Assim, identificar as causas com o intuito de prevenir tais patologias e realizar os tratamentos adequados é de extrema importância para equinos atletas.

 A Ceva Saúde Animal possui em seu portfólio uma série de produtos que podem auxiliar no tratamento das desmites e tendinites em equinos confira:

Equipalazone – anti-inflamatório não-esteroidal com potente ação terapêutica no controle de inflamações agudas do sistema músculo-esquelético como por exemplo, artrites, bursites, contusões e estiramentos. O produto está disponível nas versões injetável ou oral.

Retardoesteróide (triancinolona) – anti-inflamatório esteroidal indicado para bovinos e equinos nas inflamações causadas por traumatismos. 

Tildren® – Único bifosfonato aprovado em equinos de alta performance para tratamento das dores e inflamações ósseas. O produto é indicado nos casos que envolvem entesiopatias. 

Consulte o Médico Veterinário para a escolha do melhor protocolo.

 

Referências:

CLEGG, P. D. Review Article: HBLB’s advances in equine veterinary science and practice musculoskeletal disease and injury, now and in the future. Part 2: Tendon and ligament injuries. Equine Veterinary Journal, v. 44, p. 371–375, 2012.

KNOTTENBELT, D.C.; PASCOE, R. R. Afecc?o?es e Distu?rbios do Cavalo. 1a edic?a?o. Sa?o Paulo/SP. Editora Manole.1998.

MARANHÃO, R.P.A. et al. Afecções mais Frequentes do Aparelho Locomotor dos Equinos de Tração no Município de Belo Horizonte. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.58, n.1, p. 21-27, 2006

STASHAK, Ted S. Claudicac?a?o em Equ?inos Segundo Adams. 5a edic?a?o. Sa?o Paulo/ SP. Editora Roca. 2006. 

 

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